SEBASTIÃO CASTELO LOPES

No meio do caminho, 2019. Carvão e tinta acrílica sobre papel, 100x70 cm. Courtesy: Galeria Monumental

SEBASTIÃO CASTELO LOPES

Portugal, 1994

GALERIA MONUMENTAL

Em Work’s Words, poema visual e manifesto artístico de 2016, Sebastião Castelo Lopes (Portugal, 1994) declara a relação do seu trabalho com as palavras. Os desenhos recentes de Au Lecteur (2019) continuam este jogo intertextual com a poesia e interpelam também o espectador, reutilizando e retrabalhando, segundo uma ética de trabalho própria, o Ennui decadentista de Baudelaire (Hypocrite lecteur, – mon semblable, – mon frère!), numa época em que o Ennui parece instalar-se de parte a parte. Como bem observa João Valinho, Sebastião Castelo Lopes desafia-nos, e desafia-se, com obras onde nos confrontamos «com um processo de reintervenção por parte do artista, ao longo de diversas amplitudes temporais – desde meses até anos. […] Para além desta contenciosa relação entre aquilo que é dito, descrito, e a sua aparência formal, permanecem ainda as inúmeras relações destas com o inenarrável – a correspondência livre das formas, num plano emancipado da sensação, que Sebastião Castelo Lopes nos oferece como possível e nos convida a experienciar. Ao leitor, não em alegria, tristeza ou tédio, mas em plena serenidade.»